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Duelo de gerações: conheça nove antecessores melhores que seus sucessores

Assim como um bom vinho melhora com o tempo, a evolução de um carro tenta aprimorar o que era oferecido no passado. Seja em performance, segurança ou conforto, o novo sempre será superior ao velho. Ou pelo menos deveria ser assim.

Na prática, alguns casos de carros novos mostram que é possível comprar seu similar usado melhor e mais completo.

Listei nove casos emblemáticos cujos sucessores merecem um cartão vermelho do consumidor:

HONDA FIT
Na minha coluna sobre custo x benefício, recebi vários comentários de leitores que, por verem nesse Honda uma boa relação, questionaram-me sobre a não inclusão do modelo no texto.

A verdade é que o Fit é um ótimo carro, mas longe de custar pouco pelo que oferece.

A marca japonesa conseguiu uma reputação invejável, a ponto de cobrar caro por seus produtos e, mesmo assim, conseguir bons números de venda. Mas precisava depenar o Fit nessa terceira geração?

Freios a disco na traseira e ar-condicionado automático digital ficaram no passado. Nem a versão mais cara, EXL, oferece esses equipamentos, sendo que na geração anterior, a intermediária EX os tinha.

Já o controlador de velocidade, item que aprecio bastante, foi sacado da EX em 2015, mas felizmente voltou em 2016.

VW GOLF

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Em sua terceira geração no Brasil – sétima na história -, o Golf veio importado da Alemanha recheado de equipamentos e motores modernos.

Desde o lançamento, já sabíamos que, assim que a produção do modelo iniciasse no México, seria de lá que ele passaria a ser importado. O que ninguém sabia é que perderíamos o freio de estacionamento eletrônico.

Um ano depois, quando passou a ser fabricado no Brasil, mais itens foram cortados – dessa vez, mais relevantes.

Trocaram a refinada suspensão traseira multilink e o câmbio automatizado de dupla embreagem com 7 marchas pelos simples eixo de torção e o câmbio automático de 6 marchas, respectivamente.

O Golf continua um carro bem acertado, mas o anterior era melhor.

No mercado de usado, o alemão é o mais cobiçado.

Felizmente, a nacionalização não afetou a esportiva versão GTi.

CHEVROLET MONTANA

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A bem acertada picape Montana nasceu derivada da segunda geração do Corsa nacional. Era moderna para a categoria, com adoção de subchassi na dianteira e um torcudo motor 1.8, bem adequado para um veículo de carga.

Anos depois, com o surgimento do Agile, um carro baseado no Corsa de primeira geração, a Chevrolet aproveitou e atualizou sua picape pequena.

Veja que houve um retrocesso de geração. Além de disponibilizar apenas o motor 1.4 – que também estava na anterior -, ela possui um design contestável.

Gostaria de saber se existe alguém que acha a atual Montana mais bonita que a antiga. Não por acaso, ela ganhou o apelido de “Monstrana”.

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CHEVROLET SPIN

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Já peguei no pé da Spin em outras colunas, é verdade. Mas como ficar indiferente com um carro que nasceu todo desproporcional? Fica claro que o designer da dianteira não conversou com o da traseira, que não conheceu o do perfil.

Compará-la com sua antecessora, a Zafira, é um insulto!

O antigo monovolume baseado no Astra chegou a ter motor 2.0 com 16 válvulas, airbags laterais, teto solar elétrico, ar-condicionado automático e acabamento mais refinado em algumas versões.

A inteligente solução da terceira fileira de bancos não foi copiada na Spin. Mesmo a Spin sendo mais simples que a Zafira, o “setor de corte de custos” da fabricante cortou itens ao longo dos anos, como é o caso da regulagem de altura dos fachos dos faróis e das lanternas de neblina traseira, itens que a versão LTZ da Spin tinha, mas não tem mais.

zafira

RENAULT CLIO

clio

Sou fã do Clio e já deixei isso claro em outras colunas. Mas é o Clio um carrinho que foi mais completo no início.
Essa atual e longeva geração já contabiliza 16 anos de Brasil e teve várias versões interessantes.

Nem todos se lembram, mas por um bom tempo tivemos o girador e potente motor 1.6 16v no levíssimo Clio.

O ápice foi a versão Privilège, com equipamentos e acabamento que jamais veríamos novamente. Cortaram o veludo, controle de som no volante, espelhos elétricos, revestimento nas portas e no porta-malas, faróis de neblina, rodas de liga leve… Enfim, um Clio usado é bem mais interessante que um Clio novo.

TOYOTA COROLLA

toyota

O campeão de vendas da categoria dos sedãs médios não regrediu com o tempo, mas está nesta lista em função de um acessório cuja ausência considero imperdoável: teto solar.

Poucos sabem, mas alguns Corollas dos anos 90, quando ainda eram importados, tinham esse opcional. Ora, se tinham, por que não têm mais?

CHEVROLET VECTRA

Vectra segunda geração europeu, igual ao que tivemos no Brasil
Vectra segunda geração europeu, igual ao que tivemos no Brasil

O terceiro Chevrolet da lista nem é mais fabricado, mas sua terceira geração foi muito criticada na época do lançamento por não passar de um Astra europeu.

Continuou sendo um ótimo carro, mas a GM forçou a barra. Com isso, ele perdeu em acabamento em relação à segunda geração.

A principal perda, no entanto, foi em dirigibilidade, uma vez que o eixo de torção entrou no lugar do sistema multilink na suspensão traseira.

Astra europeu igual ao Vectra terceira geração do Brasil
Astra europeu igual ao Vectra terceira geração do Brasil
Verdadeiro Vectra terceira geração, que não tivemos no Brasil
Verdadeiro Vectra terceira geração, que não tivemos no Brasil

HYUNDAI i30
O i30 foi um dos divisores de água da Hyundai no mercado nacional. Ele elevou o nível da categoria quando chegou com 6 airbags, controle de estabilidade e tração.

Com um visual mais moderno, a segunda geração tinha tudo para arrebentar. No entanto, decepcionou no motor.

Enquanto o antigo tinha um 2 litros de 145 cv, o novo veio em 2013 só com o 1.6 de 128 cv, e ainda por cima mais caro. Somente um ano depois a fabricante corrigiu essa falha, com o atual 1.8 de 150 cv.

Hoje em dia, quem procura um i30 usado geralmente quer um pré-2012 ou um pós-2014; poucos se interessam pelo 2013.

hyundaii30

HYUNDAI TUCSON
O robusto SUV da Hyundai parece ser avesso a mudanças, já que é praticamente o mesmo desde seu lançamento.

A realidade é que quem busca uma Tucson tão completa como a mais top das ix35 só vai conseguir encontrá-la no mercado de usados.

A antiga versão V6, além do suave motor de 6 cilindros com 24 válvulas, vinha com 6 airbags, controle de tração e estabilidade, tração 4×4 e teto solar. Jamais veremos isso numa Tucson 0km.

hyundaitucson

E aí, o que você achou da lista? Mande seus comentários. Gostaria de ouvir sua opinião e saber se há algum outro usado, antecessor, que você considere melhor que o sucessor.

Até a próxima!