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Dicas para evitar o apelo emocional na compra do carro

Para a maior parte dos brasileiros, a compra de um carro é sempre um grande acontecimento, que costuma mexer com o emocional das pessoas.

O carro não é apenas um meio capaz de transportar seus ocupantes de um ponto A para um ponto B; ele também é um instrumento de liberdade e conquista, motivo de orgulho para o dono.

A euforia no momento da compra costuma ser tanta, que não é raro algumas pessoas fazerem maus negócios.

Um grande amigo teve um bom carro por muitos anos. Era um modelo simples, sem item algum de conforto, mas que o atendeu muito bem, sem nunca tê-lo deixado na mão.

Em certo momento, depois de anos de economia, esse amigo resolveu que queria trocar o antiguinho por um mais novo e mais completo.

Quando se deparou com o primeiro carro nessas condições, a emoção foi tanta que ele ficou cego para alguns “detalhes”.

Tudo que seus olhos viam eram botões espalhados pelo painel, o acabamento primoroso, a leveza da direção hidráulica e o frescor do ar condicionado.

Ele se imaginou acelerando aquele motorzão potente e viajando com a família com o grande porta-malas lotado de bagagens.

Pois bem. O amigo sequer pesquisou um pouco mais: fechou o negócio na hora!

Estaria tudo perfeito se não fossem justamente os “detalhes”: problemas na chave de seta, rompimento do cabo da embreagem, falhas em diversos sensores da injeção eletrônica, furos de cigarro no estofamento, pneus ruins, trincas nas torres dos amortecedores, escapamento furado, e por aí vai.

Todos esses problemas estavam lá no dia da compra, mas meu amigo não queria – ou não conseguia – enxergá-los, já que as vantagens que ele supostamente teria com o carro novo ocultaram toda essa gama de defeitos.

No final das contas, esse carro foi um pesadelo que só acabou quando passado adiante por um valor bem inferior ao que tinha custado.

Faltou ao meu amigo a companhia – ou ao menos os conselhos – de uma pessoa sem apelo emocional algum naquela compra. Alguém que entendesse de carros e pudesse alertá-lo sobre todos aqueles “detalhes”. Na prática, alguém que o ajudasse a enxergar os problemas.

É bem possível que você tenha se identificado com esse meu amigo. Afinal, como Caçador de Carros, ouço de clientes muitos casos parecidos.

Diante de situações como a relatada, a principal recomendação, sem dúvida, é levar alguém que entenda do assunto no momento de procurar o carro almejado.

Mas, se isso não for possível, aqui vão cinco outras dicas bacanas que costumam ajudar a manter os pés no chão na hora agá:

1. Analise bem o carro, tire fotos ou anote os detalhes num papel, para poder se lembrar de todos eles no momento de negociar o valor;

2. Faça contas para ter certeza que o novo carro cabe no seu orçamento. Lembre-se que juntamente com o veículo vêm gastos com manutenção, combustível, taxas e impostos, além de possíveis parcelas de seguro e financiamento;

3. Evite levar a família para procurar o carro. A chance de encantamento é grande, e isso vai contribuir para aumentar o risco de uma compra impulsiva;

4. Não demonstre tanto interesse na compra – ainda que o interesse seja real. O vendedor pode identificar esse desejo e dificilmente vai querer ceder na negociação;

5. Pesquise mais de um modelo, pois às vezes o melhor negócio pode ser a segunda ou terceira opção. Só feche no primeiro se tiver 100% de certeza que é o que realmente precisa.

Até a próxima!