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Carros Franceses: Vale a pena comprar um usado?

Por mais que os carros estejam cada vez mais parecidos um com os outros, o mercado se encarrega de diferenciá-los por sua origem. É comum ouvirmos sobre a qualidade dos japoneses, design dos italianos, requinte dos ingleses e por aí vai.

No caso dos carros franceses, as três representantes no Brasil (Renault, Peugeot e Citroën) têm sofrido com um certo preconceito dos consumidores, principalmente no mercado de carros usados.

Não estou apenas jogando essa observação no ar. Isso é um fato que presencio diariamente com clientes que me procuram. Muitos nem sequer cogitam a possibilidade de colocar na garagem carros franceses de uma dessas três marcas.

Antes de qualquer coisa, quero deixar bem claro que sou fã de todas elas e tenho enorme respeito pela história que construíram. E também sei do grande número de admiradores, que não trocam seus carros franceses por nada.

Na Renault, por exemplo, eu compraria sem medo o Fluence CVT ou qualquer outro com câmbio manual (porém fujo dos automatizados Easy’R do Logan e Sandero).

Já pelos lados da Citroën e Peugeot, qualquer um que tenha o atual conjunto de motor THP (1.6 turbo) com câmbio manual ou automático de 6 marchas. Admiro muito a boa potência, o bom torque disponível desde baixas rotações e o consumo moderado desse motor.

Além disso, são carros extremamente completos e seguros. Quanto aos modelos de entrada, melhor pegar os com motor 1.4 e 1.5 com câmbio manual.

 

 

Mas, então, o que será que aconteceu para que o mercado fosse tão “cruel” com Renault, Peugeot e Citroën? Vale a pena comprar um carro francês usado?

Eu digo que sim. Mas é importante você saber que…

  1. … as montadoras não dão muita bola para a voz do consumidor brasileiro

Em minha opinião, as montadoras insistem em não ouvir as exigências dos consumidores brasileiros. E também não se preocupam em melhorar nas principais críticas. As três precisam rever a política de pós venda, ouvir mais os consumidores e serem mais ágeis para corrigirem falhas de projeto.

  1. é preciso ter disposição para achar peças

Os primeiros modelos importados só servem para quem tem total noção do que está levando para casa – e não se importa em se aventurar para procurar peças e mão de obra especializada que tope o desafio de mantê-los funcionando. É difícil, mas acredite: tem muitos apaixonados por casos assim.

  1. … vender não é tão simples

Se você é daqueles que valorizam ao máximo a revenda, ou seja, compra carro pensando em perder o mínimo possível quando for vendê-lo, não se arrisque. Sempre que preciso vender um francês de algum cliente, sofro com o mercado e só consigo passar para frente com bons descontos.

  1. é bom evitar os modelos com câmbio automático de 4 marchas

Já comprei alguns para clientes e, felizmente, deu tudo certo. Porém são uma caixinha de surpresas. E quando dão problema o conserto fica caro. Eu não os descarto totalmente, pois sei que o custo/benefício é bom. Mas se você quer se aventurar, recomendo que faça a troca do óleo do câmbio logo após a compra.

P.S.: Essa coluna foi uma sugestão do Marcos Alcantara, seguidor do meu canal no YouTube. Fique à vontade para sugerir novos temas para as próximas. Até a próxima.